Olá, se você procura por minha poesia, clique aqui. Meus textos sobre marketing digital estão no Siga a Pista. É um prazer recebê-lo em meu blog pessoal. Bem vindo!

16.10.09

A realidade aumentada e a Matrix

A tecnologia da realidade aumentada só tornará mais visível a esfera simbólica em que vivemos quase o tempo todo.

Parafraseando Max Weber e Clifford Geertz, o ser humano é um animal que vive suspenso em teias de significados que ele mesmo teceu; não se relaciona com "as coisas como elas de fato são", mas com "as coisas enquanto representações da mente" (leia mais em mapas mentais).

Nesse processo, os signos mediam a nossa relação com o mundo natural, funcionando como tradutores - dificilmente temos contato direto com a realidade, livre dessa tradução*. O nosso habitat é a semiosfera**.

Gosto de brincar dizendo que o homem já vive, há milênios, dentro da Matrix, num mundo virtual governado por um software chamado "cultura", devidamente customizado pela nossa experiência pessoal e pelos nossos processos de subjetivação (leia mais sobre cultura e conhecimento).

De certo modo, o que a realidade aumentada fará é apenas tornar esse mundo virtual mais tangível.


Notas

* A prática zen-budista é um exercício que leva a esse contato direto com a realidade, sem a mediação das nossas idéias e do nosso ego.

** O termo semiosfera foi proposto originalmente por Iuri Lotman.

11.10.09

A certeza impossível

Excelente a coluna do Marcelo Gleiser na FOLHA hoje*, explicando a impossibilidade do conhecimento absoluto no mundo sub-atômico**. Eis seu argumento central:

"no mundo dos átomos e das partículas, medir é interferir: ao observarmos um sistema, mudamos irreversivelmente o seu comportamento.

Juntando isso ao princípio de incerteza***, chegamos ao dilema de Einstein: se prepararmos o mesmo sistema da mesma forma várias vezes, e medirmos a mesma propriedade (por exemplo, a posição do elétron num átomo de hidrogênio a uma certa temperatura), cada medida que fizermos não dará o mesmo resultado. Temos de repeti-la muitas vezes e usar estatística: o elétron tem uma parcela de chance de estar aqui, outra de estar lá etc."
* Assinantes UOL ou FOLHA, podem ler a coluna do Marcelo Gleiser na íntegra.

** Céticos e relativistas vão além e julgam impossível conhecer de modo absoluto a realidade última de qualquer coisa. Para maiores detalhes, acessem as minhas notas sobre Relativismo e Ceticismo aqui mesmo no blog.

*** Segundo o princípio da incerteza, a quantidade de informação que podemos extrair de um sistema qualquer é sempre limitada.

30.8.09

Muito trabalho e algumas tuitadas

Faz tempo que não posto um texto decente aqui. E não será hoje, infelizmente. O meu microblog no Twitter está um pouco mais atualizado. Então convido vocês a me acompanharem por lá.

Vejam algumas das minhas tuitadas mais recentes:
  • O acaso é o dublê do destino.
  • Esse cartão vermelho do #Suplicy vai pegar. Grande golpe de marketing do senador. E eu não estou duvidando da sua sinceridade. 
  • Pesquisando ideias para uma marca, comecei buscando por "turbine" e acabei com "power icons", raios, átomos, etc. Obrigado, Google Imagens.
  • Pesquisa sobre fatores determinantes para a classificação de URLs nos motores de busca (em inglês): http://migre.me/5N5w #SEO
  • Porque eu e muitos de vcs jamais leremos certos livros em leitores de e-books: http://migre.me/5JLf
  • Me animei com foco da Marina Silva para o @partidoverde: desenvolvimento sustentável. Tecnologias "verdes" farão a riqueza das nações.    
Leiam mais no meu Twitter.

30.7.09

Como a parceria Microsoft & Yahoo afetará o Marketing de Busca?

Finalmente saiu a parceria entre a Microsoft e o Yahoo. Foi o assunto do dia ontem no mercado de buscadores. Espera-se que o novo Bing, buscador da Microsoft, seja bastante fortalecido pelo acordo.

Quais as implicações disso para a prática do Marketing de Busca (SEM - Search Engine Marketing)?

Clique aqui para continuar lendo a minha coluna na Webinsider.

29.7.09

O novo Twitter e o Marketing de Busca

O Twitter estreou homepage que privilegia as buscas. Agora, mesmo quem não é usuário do serviço pode pesquisar seu conteúdo por palavras-chave. O que isso significa para quem trabalha com marketing de busca?

Clique aqui para continuar lendo minha coluna na revista Webinsider.

22.7.09

Dicas práticas de marketing de busca (SEM)

Tenho dados dicas sobre marketing de busca (SEM) diariamente para meus seguidores no Twitter. Confira algumas delas:
  • Como colecionar links e subir no Google? 1) conteúdo relevante 2) cadastre-se em catálogos/diretórios 3) relacione-se: http://migre.me/3Mum.
  • Pq seu concorrente está no topo do Google? Um fator: o concorrente de um cliente tem 597 links apontando pra ele; meu cliente, apenas 6.
  • Quais palavras são + usadas pelo seu público nas buscas? Meu cliente se surpreende ao descobrir q o termo mais usado não consta no site dele.
  • Acabei de analisar um site sem tags de título/sub-título no HTML. Erro primário para quem quer melhorar a visibilidade do site nas buscas.

17.7.09

Mídia social e marketing de busca

Acabo de alertar um cliente sobre como usar a mídia social para melhorar a visibilidade do site dele no Google. A dica pode servir para você também.

Em resumo: suas mensagens na mídia social (Orkut, Facebook, Twitter, etc.) podem render, além de muitos cliques, links para seu site, o que melhorará, e muito, a posição dele no ranking do Google, especialmente se o link partir de uma publicação importante.

Postei um texto no Siga a Pista explicando como a coisa funciona. Clique aqui para lê-lo.

28.6.09

Essa é a natureza humana

Vi este vídeo primeiro no blog do Diniz Júnior. Incrível como a letra da música e a dança robotizada, no finalzinho da gravação, lembram a vida do moonwalker Michael Jackson, e, porque não dizer, a nossa própria, em nossa inquietude com os limites do corpo, em nosso desejo de transcendê-lo, de vencer a morte, de realizar o que há de eterno em nós. Descanse em paz, mister Jackson, essa é a natureza humana.

13.6.09

Não me faça pensar

As evidências acumulam-se. Não gostamos de pensar. Muito raramente planejamentos e agimos com plena consciência do que estamos fazendo, com critérios e objetivos claros. E eu nem sei se isso seria proveitoso (como sugerem os manuais de estratégia e tomada de decisão), pois geralmente seguir planos é pedir para ser trouxa.

Pois bem, estou lendo um livro fantástico sobre usabilidade de web sites. Chama-se Não me Faça Pensar, de Steve Krug. Em seu segundo capítulo, entitulado Como realmente usamos a web, são apresentados três fatos sobre o comportamento dos usuários da rede.
  1. Nós não lemos páginas. Damos uma olhada nelas.
  2. Não fazemos escolhas ideais. Fazemos o que é suficiente.
  3. Não descobrimos como as coisas funcionam. Nós apenas atingimos nosso objetivo.
É uma bela descrição do comportamento não só dos internautas como de qualquer tomador de decisão, seja ele um consumidor, um gestor ou um amante. Aliás, Steve Krug recorre aos famosos estudos de campo de Gary Klein para justificar suas ideias. Reproduzo a seguir alguns dos seus argumentos.
A equipe de observadores de Klein começou seu primeiro estudo (sobre comandantes de bombeiros em situações de incêndio) com o modelo amplamente aceito de tomada racional de decisões: ao se deparar com um problema, uma pessoa coleta informações, identifica as possíveis soluções e escolhe a melhor. Eles iniciaram com a hipótese de que, devido à importância e à extrema pressão de tempo, os comandantes de bombeiros poderiam comparar apenas duas opções, uma suposição que eles achavam que fosse conservadora.

Acabou que os comandantes de bombeiros não comparavam quaisquer opções. Eles pegavam o primeiro plano razoável que vinha à mente e executavam um teste mental para descobrir algum problema nele. Caso não encontrassem algum, já tinham seu plano de ação.
Irracional? De modo algum. Há muitas vantagens em agir assim, sem dar muita bola para um planejamento analítico e formal. Eis algumas delas:
  • Como Klein destaca, "otimizar é difícil e demora muito. fazer o suficiente é mais eficiente."
  • Geralmente não há uma punição grande para suposições erradas.
  • Num mundo confuso e imprevisível, ponderar as opções pode não melhorar as chances.
  • Adivinhar é mais divertido, já que aumenta as nossas chances de encontrar algo surpreendente e bom.
Note, tudo isso não quer dizer que nunca ponderamos criteriosamente as opções antes de agir. Quando usamos o modo de pensar cogitativo, nós costumamos ser mais analíticos e críticos. Acontece que raramente nós o usamos. Preferimos nos manter no modo experiencial de pensamento, o que, como vimos acima, não é necessariamente ruim.

30.5.09

Um (pre)texto para a imaginação

Alguns de meus alunos de negócios e marketing se surpreendem quando descobrem meu envolvimento com a poesia. Eu sei, a mistura parece não caber nas fôrmas mentais que usamos cotidianamente. Afinal o administrador costuma ser caracterizado na nossa cultura por sua racionalidade instrumental. Frio, calculista, pragmático, materialista, o gestor seria o oposto do sensível, emotivo e espiritualizado poeta. Ora, esse senso comum carrega um grande engano que tentarei esclarecer em poucas linhas.

Para começo de conversa, poesia não é emoção. Envolve a emoção também, mas não apenas ela. E nem é a emoção seu principal elemento. A poesia, como toda forma de arte, é o exercício radical da observação e da criatividade, o que nos dá uma boa razão utilitária para usar e abusar dela: desenvolver a imaginação, essa matéria-prima da inteligência humana.
"A razão só pode seguir os caminhos que imaginação abriu primeiro. Sem palavras, não há raciocínio. Sem imaginação, não há palavras novas. Sem palavras novas, não há progresso moral ou intelectual.

Culturas com vocabulários mais ricos são mais plenamente humanas – mais distantes das bestas – do que as mais pobres; homens e mulheres individuais são mais completamente humanos quando suas memórias estão amplamente estocadas com versos." (Richard Rorty).
Eu já discuti aqui no blog como a emoção pode ser um fenômeno muito menos subjetivo do que supomos normalmente. Não irei repetir todos os argumentos. Quem quiser e tiver tempo leia este meu ensaio sobre o assunto. Por hora, lembro apenas que as nossas emoções só se tornam perceptíveis e significativas para nós graças à sua natureza cultural e simbólica. Isto quer dizer que elas são fortemente institucionalizadas, moldadas por valores e crenças coletivas.

De fato, as emoções podem ser muito pouco criativas. Elas podem ser até mesmo um obstáculo à imaginação, já que a sua expressão é fortemente estruturada por convenções sociais e culturais (1).

Talvez por isso João Cabral de Melo Neto tenha dito que a poesia é como um pássaro que é obrigado a caminhar um quilômetro no chão. Fiel à sua abordagem antilírica, o poeta pernambucano esclarecia com tal frase que as asas da nossa imaginação não são movidas apenas pela emoção inspiradora.

Como bem alertou Antonio Cicero em uma das suas últimas colunas para a Folha de São Paulo, geralmente as nossas "idéias inspiradas" não passam de ecos e simples rearranjos do que lemos e ouvimos por aí (2). Por mais vexatório que seja para nós, fato é que grande parte dos nossos discursos, especialmente aqueles mais espontâneos, é mera papagaiada.

Para escrever ou dizer algo realmente original, criativo e único, é preciso estar atento aos ilusionismos da inspiração repentina e aos automatismos da língua domesticada. É aí que está o lance da poesia. "As minhocas arejam a terra, o poeta areja a linguagem", explica o poeta Manoel de Barros. A poesia extrai a porção fóssil da língua, chacoalha as nossas idéias acostumadas.

O professor e crítico João Adolfo Hansen expressou a proposta brilhantemente em um artigo que citei recentemente no site Poesia Hoje:
"[O papel da poesia é] produzir vazio, evidenciando a ficção que é o eu, impedindo que se delire com a linguagem das instituições, dando forma eficaz às maiores dores, fazendo a gente ficar espantado com a alternativa de outra vida" (3).
Como a poesia é capaz de fazer isso? Por meio de boas metáforas (como quando João cabral compara a poesia a um pássaro, por exemplo): o estofo de um grande poema é a metáfora escrita de uma forma rara e sensível.

Manoel de Barros costuma dizer que em seus poemas a metáfora apaga a idéia, e que, por isso, os seus leitores ficam livres para atribuirem as idéias que quiserem aos seus textos. Ou seja, os leitores têm de usar a imaginação para darem algum sentido à poesia dele, pois nela poucas palavras são usadas de acordo com os seus significados convencionais. Ou seja, ela é um (pre)texto para a imaginação.

E é bem assim que a poesia estimula a criatividade, por meio das ambiguidades com que a linguagem (des)figurada nos desafia. Ela é, portanto, não apenas "uma ocasião para a beleza", como nos ensina Jose Luis Borges em Esse Ofício do Verso, mas também uma ocasião para o exercício da imaginação.

Agora então, meu caro aluno de administração e marketing, se você quiser ter um bom motivo "administrativo" para ler poesia sem vergonha, já pode dizer: "leio poesia para aumentar a minha criatividade, o que pode me ajudar a ter mais idéias inovadoras para os nossos negócios, blá, blá, blá" (4). No fundo, porém, nós sabemos que o seu objetivo é bem mais nobre: você lê poesia para se tornar plenamente humano.


Notas

(1) Como discuti neste ensaio, a própria arte, apesar de toda a imaginação que ela envolve, é também moldada, em parte, por instituições sociais e padrões culturais, o que nem sempre é devidamente reconhecido por aqueles que enfatizam a dimensão individual e solitária do gênio artístico.

(2) Ironicamente, nesta postagem, eu faço coro com vários autores com quem concordo. Eu os ecôo porque eles m(e(co))respondem. Não é sempre assim quando nos identificamos com alguma idéia?

(3) "Produzir o vazio" também é a finalidade da prática zen-budista, sobre a qual escreverei aqui em breve, explorando esse e outros dos seus parentescos com a poética.

(4) Outro bom motivo para o estudioso de marketing se envolver com poesia é a natureza metafórica das marcas pós-modernas. Mas vamos deixar esse assunto para outro dia. Por enquanto, ficamos com uma explicação que o seu patrão e os seus colegas possam entender mais facilmente.